Há 45 anos atrás, acontecia no estádio Bastos Padilha algo que mudaria a vida de milhões de brasileiros e que seria o ponto de partida para que muitos vascaínos, tricolores, botafoguenses, atleticanos, gremistas, santistas, colorados, entre outros, chorarem e aumentarem exponencialmente o ódio pelo clube Mais Querido do Brasil.
Tinha tudo para ser apenas mais uma peneira, dessas que ocorrem as dúzias até hoje, em que quase 700 moleques tentam a sorte grande no futebol, mas não naquele dia 28 de Setembro de 1967, naquele dia os deuses do futebol resolveram presentear o Clube de maior torcida do Brasil com o surgimento de seu Deus, o surgimento do Zico.
O pequeno Arthur mesmo sendo muito franzino e baixo para a sua idade, já se destacava e fazia a diferença nas peladas da rua. Seu porte físico fazia com que todos o chamassem de Arthurzico e no dia-a-dia, e pouco a pouco o Zico surgiu, pelo menos no apelido, mas ele ainda era um simples menino do subúrbio carioca, um reles mortal...
O jovem Arthur integrava o time da rua, o Juventus e numa competição um conhecido da família(Ximango) convida o radialista Rubro-Negro Celso Garcia, para ver o Galinho. Súbitamente, ele se encanta com o moleque e logo percebe que ele era diferenciado dos demais e viu que o garoto só precisava de uma coisa para ganhar superpoderes e então, no dia 28 de setembro de 1967, Celso Garcia leva o Galinho para fazer testes no Clube de Regatas do Flamengo.
Depois de uma longa espera para poder entrar em campo e mostrar seu futebol, o menino entra e basta 10 minutos e 3 toques na bola para que os Deuses do futebol aprovassem a graduação daquele menino que se tornaria um Deus, sim Rubro-Negro o dia 28 de Setembro de 1967 foi o primeiro do resto de nossas vidas, foi o primeiro do resto de uma eterna idolatria na história eterna e gloriosa do Flamengo.
E depois da grande peneira o menino recebe o que mudaria a sua vida e a de milhões de pessoas até hoje: O MANTO SAGRADO
Assim como nas histórias em quadrinhos, nos filmes, quando um simples mortal encontra o amuleto certo, Arthurzico vestiu o MANTO e se transformou em ZICO, o Super-Herói Rubro-Negro no Deus maior da nossa mitologia.
O Maracanã tornou-se sua casa, e depois ficou pequeno para seu filho mais ilustre, para o seu maior campeão, para o maior artilheiro de sua história com memoraveis 333 gols. A Nação Rubro-Negra multiplicou-se e se acostumou a passar tardes de domingo em festa
No fim dos anos 70, ele conquistou o Rio, e no ínicio dos anos 80 o Brasil, a América e o Mundo.
Com seus feitos no Flamengo e depois de dar tantas alegrias para a Nação Rubro-Negra e ser o principal culpado por hj sermos uma nação de 40 milhões de apaixonados, nosso herói foi convocado para defender a Seleção canarinho
Ele comandou aquela que é considerada a melhor Seleção de todos os tempos, onde uma constelação de craques desfilava pelo gramado, praticando o verdadeiro futebol brasileiro.
ZICO era o líder, o Deus maior de uma seleção que contava com Falcão, Sócrates, Júnior, Leandro, Eder e outros grandes craques do nosso futebol. Há quem diga que está seleção era melhor até que a grande seleção de 1970.
Mas, infelizmente, quando defendia a seleção canarinho, ele não podia contar com seu amuleto protetor e, desta forma, nosso herói não conquistou uma Copa, mas para mim não faz diferença nenhuma e é até melhor pois o legado do Rei Arthur é só nosso, só da Magnética, só da Nação Rubro-negra. Como já li em algum lugar antes: "ZICO não ganhou a Copa? Azar da copa, azar do futebol, foi um erro dos deuses do futebol que com isso o fizeram o Deus maior de uma nação de enlouquecidos."
Nosso herói conquistou tudo o que era possível para o nosso time.
ZICO era a referência, o comandante, o amigo, o artilheiro, o líder, a estrela da companhia. Sempre foi respeitado por todos os seua companheiros e adversários. Foi e é exemplo dentro e fora de campo.
No Flamengo, ZICO liderou a conquista dos quatro títulos nacionais, em 1980, 1982, 1983, 1987, da Libertadores da América e do Mundial Interclubes, em 1981, dentre diversos outros títulos, como por exemplo o Mundialito de clubes e seleções - Copa Kirim de 1988 e as duas vitórias exemplares em cima da Seleção Brasileira, no período chamado de "Era ZICO".
Além de ser conhecido mundialmente por seu apelido, ZICO, ele também é conhecido por outros apelidos como: Galinho de Quintino, Deus do futebol e Rei Arthur(na Turquia).
Vestindo o MANTO SAGRADO, participou de 732 jogos e fez 568 gols em toda sua odisseia Rubro-Negra. E em toda a sua carreira ele foi especialista em gols de falta, mas, seu repertório, tem tem gols de todas as maneiras. Gol com a perna esquerda, com a direita, de dentro da área, de fora, olímpico, de cabeça, de primeira, de bicicleta, de calcanhar, driblando toda a defesa e até o inigualável gol do escorpião.
Mas, como todo herói, Zico já teve uqe enfrentar o Flamengo, mesmo que a histórias dos dois se confundam, ZICO enfrentou o Flamengo em 3 ocasiões:
O Flamengo ainda sangrava a perda de Zico para a Udinese, e fez as malas para ir à Itália. Era o dia 20 de junho de 1983 e, na véspera, o time havia realizado sua primeira partida desde a venda de seu maior ídolo. Sem alma, o Flamengo perdeu um amistoso para o Uberlândia. Mas não havia tempo para lamentos e um dia após a derrota a delegação já estava no Galeão, para seguir rumo ao Mundialito de Milão. Antes, no entanto, uma amarga pausa em Udine. Zico estrearia pela Udinese justamente contra o Flamengo. Na fila do embarque, perguntado se estava pronto para enfrentar Zico, Mozer nem levantou a cabeça para responder: “Nunca vou estar pronto para isso.”
Zico também não estava pronto para enfrentar o Flamengo. Era para ele a festa no estádio de Friuli no dia 22 de junho, mas Zico não estava para festas. O jogo marcava também a despedida de Surjak do time italiano, e Zico entraria em seu lugar aos 40 minutos do primeiro tempo para jogar somente até o final daquela etapa. Cinco minutos que pareceriam séculos.
Do banco, com a camisa do adversário do Flamengo, Zico viu o time que defendeu desde a adolescência desnorteado. Dificilmente escaparia de uma goleada e ele não só não poderia ajudar, como estava do outro lado. A Udinese vencia por 2×1 quando Zico foi chamado para o aquecimento, sob aplausos. Aos 40 minutos, entrou no lugar de Surjak. Zico estava contra o Flamengo.
Estava? O primeiro lance de Zico com a camisa da Udinese foi um lançamento logo, de trinta metros. A bola parou no peito de Júnior. Nada poderia ser mais emblemático. Pouco depois, Zico tentou e errou uma tabela. Seu corpo estava na noite do Friuli, sua alma estava no Maracanã. E acabou o primeiro tempo.
Disse Zico: “O pior foi a espera pelos cinco minutos, sentado no banco de reservas do meu novo clube, aguardando a hora de fazer uma coisa que jamais imaginei: jogar contra a camisa que foi minha metade da vida. Uma sensação muito desagradável, porque eu via que o Flamengo não estava bem.” O jogo seguiu sem Zico e a Udinese, perdendo muitos gols, venceu por 4×2. Mais tarde, todos os rubro-negros puderam ouvir, pela Rádio Tupi, o relato de Mozer
sobre o que sentiu quando Zico entrou em campo: “Foi como se um dia de sol, de repente, virasse noite”.
Pelo menos para um rubro-negro, a estranha sensação de ver Zico contra o Flamengo havia acontecido dois anos antes. Zé Carlos era o goleiro dos juniores do Flamengo em 1981, e o time de garotos foi chamado para enfrentar a seleção brasileira principal, no dia 5 de maio. Era apenas um coletivo no Maracanã, parte da preparação do Brasil de Telê Santana visando a excursão européia. Nada disso importava a Zé Carlos, que só tinha um pensamento: “Zico vai jogar contra o Flamengo e eu sou o goleiro”.
O Maracanã estava fechado para o público, mas Zé Carlos sentia aquelas arquibancadas lotadas. A seleção, de camisas de treino, cercava os juniores do Flamengo, com suas camisas de jogo. “Eu não posso deixar Zico fazer um gol contra o Flamengo”, repetia mentalmente o jovem goleiro. César marcou 1×0 para a seleção e o treino se aproximava do final, com Zico jogando longe da área.
Então aconteceu um pênalti. Para todos, só mais um lance do coletivo, que seria esquecido na história. Para Zé Carlos era um pênalti que Zico cobraria contra o Flamengo, com ele no gol. Zico contra o Flamengo era a inversão da ordem natural das coisas, mas lá estava ele ajeitando a bola na marca fatal.
Zé Carlos via quase todos os dias Zico cobrando pênaltis na Gávea. Canto direito, canto esquerdo, não havia como prever. O único padrão era a bola entrando rente ao poste. Não bastava acertar o lado, era preciso saltar como nunca.
Com o sol na cara, Zé viu seu ídolo correr para a bola e pensou “vou para o canto esquerdo”. Quando Zico firmou o pé de apoio, Zé Carlos voou com as mãos espalmadas. Em câmera lenta, viu a bola crescer em sua direção, mas não parecia possível alcançá-la. Esticou os braços até o limite da musculatura e, de olhos fechados, sentiu que algo havia tocado a ponta de seus dedos. Quando caiu no chão, abriu os olhos. A rede não estava balançando e a bola quicava além da linha de fundo.
Zico se aproximou do jovem Zé Carlos, passou a mão em sua cabeça e disse: “Boa, garoto”. Mais tarde, no ônibus a caminho de casa, o goleiro não parava de pensar que havia evitado o incestuoso gol de Zico contra o Flamengo, e chorava um choro tão silencioso quanto o Maracanã vazio naquela tarde de terça-feira. Quando fechava os olhos, ainda podia ouvir a voz de Zico: “Boa, garoto”.
Há uma terceira história de Zico contra o Flamengo. Ela aconteceu no dia 21 de junho de 1994 e o Flamengo venceu o Kashima Antlers por 2×1. Mas essa é uma história que não vai ser contada, porque o dia em que Zico abandonou os gramados não deveria jamais ter existido.
Mas, esses relatos foram só por curiosidade...
Realmente quando ZICO vestia o seu amuleto transformava-se, ganhava super-poderes. Antes e depois dele, vários heróis passaram pelo Flamengo, mas Super e Deus, somente ZICO. Ele personificou a verdadeira Magia, mística e poderes Rubro-Negros.
Em pensar que tudo isso começou há exatos 45 anos, no dia 28/09/1967; o primeiro dia do resto da história eterna e gloriosa do imortal Flamengo.
O ZICO É O NOSSO REI!

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