terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Que não se repita, os erros do ínicio dos anos 90!


Eu duvidei, confesso. Quando me disseram que o jogo seria as 10 da manhã, juniores, sem ser feriado no Rio, pensei: “É jogo pra 5 mil gatos pingados”.  Mas me enganei, com gosto.
A nação rubro-negra, sempre exaltada e não a toa, conseguiu encher o Pacaembu para empurrar o time. Notável! O time fez sua parte, levou o caneco e agora fica nas mãos de quem, normalmente, erra feio.
A diretoria atual do Fla tenta, com competência, corrigir o começo do trabalho em 2010.  Junto com isso tem a missão de não repetir um histórico erro que o Flamengo comete ano após ano: Vender ouro a preço de latão.
A geração Djalminha, Marcelinho, Zinho e cia saiu quase toda a preço de banana. Foram todos campeões em outros clubes, enquanto o Mengão amargava tempos dificeis.
Depois disso, quando pensavamos que eles tinham aprendido, trocaram Reinaldo e Adriano mais 5 milhões pelo Vampeta. Não preciso contar o fim dessa história.
E hoje, quando vemos meninos de vermelho e preto novamente campeões, surgindo com vontade de vencer no clube, cheios de talento e personalidade, dá aquele medo.
Será que alguns deles não serão doados por aí pra quitar dívida ou pra alegrar um ou outro empresário?
Será que destes pelo menos  5 estarão com a camisa dos profissionais em breve?
Não vou me alongar sobre o jogo em si pois não há jogo as 10 da manha com 35 graus na cabeça.  O Flamengo foi o melhor time do campeonato, tirou SP e Cruzeiro, saiu invicto, fez 21 gols, levou 5. Não tem o que falar, é o campeão com todos os méritos.
Só que o grande desafio dessa molecada começa amanhã cedo, quando acordam campeões e terão que não se tornar moedas de troca ou de pagamento de dívidas passadas.
Que desta vez o Flamengo faça os craques em casa, mas que fique com eles.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Por que o Brasil deixou de “semear” craques?

Por que o futebol brasileiro perdeu o seu poder gerador de craques? É claro que muitas teorias existem e como todo brasileiro também tenho a minha. Acho que foi um processo longo, tanto que vou tentar fazer uma síntese, mas mesmo assim em quatro partes para que não fique cansativo.
Vamos voltar à Copa de 70, fomos tri e aquela seleção é o maior patrimônio do nosso futebol. Naquela época tínhamos craques comandados pelo gênio Pelé. A seleção era composta por meias brilhantes, Pelé, Tostão,Gerson e Rivelino,grandes maestros da bola. Na frente Jairzinho que foi o artilheiro do Brasil, um coadjuvante perante os craques, mas sem deixar ser brilhante. Depois, ficamos 24 anos sem ganhar uma Copa. Do nada surge um “peixe” chamado Romário que inaugurou uma nova era. Ao definir uma Copa, sem craques. Abriu uma vertente de marketing que renderia muito dinheiro. O artilheiro passou a ser o carro-chefe. Tínhamos uma seleção que corria e lutava para um camarada fazer o nome e se tornar um deus. Dunga, Mauro Silva, Mazinho e Zinho suaram gotas de sangue tudo para deixar Romário e o seu escudeiro Bebeto na cara do gol. O que deveria ser um momento transitório, por necessidade, acabou virando uma solução definitiva. Um herói e 10 coadjuvantes.
Aí foi criado um ufanismo em cima do artilheiro, alguém que usufruía do esforço dos outros. Bastava ficar ali na área e finalizar. Caiu para segundo plano o jogador que criava e levava a bola até a área do adversário. Para alicerçar esta nova era, quatro anos depois, surgiu Ronaldo, outro que deu continuidade à esta mentalidade. Em 98 não deu, mas em 2002 reforçou esta nova crendice. O genial Rivaldo foi colocado como um simples coadjuvante. Nesta Copa tínhamos um belo meio-de-campo, mas o marketing anulou. Quem coloca em dúvida a qualidade de um meio com Gilberto Silva, Kleberson, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. Brincadeira hein? Só que Ronaldo foi elevado como se fosse o verdadeiro herói, coisa que não podemos tirar de Romário em 94. A qualidade do nosso meio-de-campo de 2002 não tem comparação ao de 94. O resultado foi um só: a busca da fama e fortuna causou um desvio de percurso. Os novos jogadores com talento só desejavam jogar com a 9. Perdemos na formação de jogadores de armação. Todo mundo virou atacante, artilheiro. Mas como a bola vai chegar ao ataque se não possuímos mais armadores ?


O futebol evoluiu em termos táticos e físicos. Este esporte não permite mais jogadores singulares com uma única função. Acabou aquela situação onde o jogador ficava lá na frente esperando a bola chegar para fazer o gol. Por isso o futebol brasileiro sofre tanto. Temos Ronaldo, Fred, Adriano, Luis Fabiano, Nilmar, Robinho, Vagner Love, Cleber, Diego Tardelli, Neimar, Dentinho, Borges e muitos outros. E meias, ficamos no Paulo Henrique Ganso , Kaká e Diego hoje na Itália. Ronaldinho Gaúcho virou atacante e fica lá na frente paradão. E como isso aconteceu? Os meias, aqueles que pensam e armam, perderam valor. Pensar, criar é algo que dá muito trabalho. Hoje se valoriza mais um lateral ou um zagueiro (ele vai lá na bolas paradas e faz gol) do que aquele jogador que atua no meio que são vistos como simples trabalhadores, marcadores.
Vamos voltar ao passado. Depois da Copa de 70, tivemos três equipes marcantes que fizeram história. Flamengo, Cruzeiro e Internacional. Qual era o perfil destes times? O Mengão até hoje é lembrado como o time de Zico, Adílio e Andrade. Nunes era o centroavante, que fez muitos gols decisivos, mas era coadjuvante. Os três meias eram brilhantes. O Cruzeiro ficou na história e é lembrado como o time de Tostão, Dirceu Lopes, e Zé Carlos. Quem era o centrovante e artilheiro. Poucos lembram,mas era Evaldo. No Inter então, tinha o carismático Dario , mas o time era Falcão, Paulo Cesar Carpegiani e Batista. Esta sempre foi a essência do futebol brasileiro.Craques no meio-de-campo, brilhantes e até gênios. O Palmeiras que lembramos é de Dudu e Ademir da Guia, Rivaldo. O Corínthians de Sócrates, Rivelino ou Neto. O São Paulo de Gerson, Pedro Rocha ou Raí.O Vasco de Zanata e Roberto Dinamite. Nossa, tantos craques, eu poderia ficar aqui escrevendo dezenas de nomes. Em comum … todos meias.



Nesta continuação passamos à década de 80. As seleções de 82 e 86, foram um sonho né? E talvez aí começou o ápice de nossa crise. Todo mundo venera Telê Santana, mas acredito que ele exagerou. Estas seleções são lembradas porque tinha Zico, Sócrates, Falcão e Toninho Cerezo. Craques sem dúvida, mas um meio sem consistência de marcação. Os nossos adversários tinham a maior moleza. Quando pegou um time mais qualificado e organizado, como a Itália, tropeçamos. Quem lembra que Serginho Chulapa era o nosso centroavante? Este que marcou mais de 800 gols em sua carreira. Sem dúvida competente como goleador. A partir daí o futebol brasileiro entrou em parafuso e buscou caminhos contra a sua essência. Em 90 tivemos um time sem brilho onde o Lazaroni baseou o seu esquema em Dunga e Alemão. O armador era Valdo, um jogador esforçado com qualidade, mas longe de ser um craque. Careca, este sim, brilhante, brigando lá na frente. A Argentina tinha Maradona que eliminou a dona da casa, a Itália e foi vice, e a Alemanha um time forte comandada pelo maestro Mathaus no meio de campo e o legendário Beckembauer como técnico. Ninguém lembra que Romário e Bebeto estavam lá, mas machucados. Com certeza com Bebeto que era meia na época, um 10, e o ataque com Careca e Romário a história poderia ser diferente… bem diferente. O trauma foi aumentado, pois o Brasil, país do futebol não ganhava uma Copa há muito tempo. Chegamos em 94, aí sim foi Romário quem no momento certo, com seu parceiro Bebeto, quebrou o trauma e trouxe o tetra, mas sem esquecer do brilhante Taffarel. Aí foi inaugurada a era dos goleadores, os deus de papel, precursor do marketing barato e altamente rendoso. Cada golzinho era repetido dezenas de vezes para embriagar o pobre do torcedor. Como já disse, Serginho Chulapa fez mais de 800 gols, a mesma marca atingiu Dario. Já Ronaldo fez pouco mais de 300 e é visto como fenômeno e craque. No próximo post vamos aos finalmente.

Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!

Flamengo é isso, é ter responsabilidade e estar em uma constante prova do que é capaz, por que há 117 anos nosso clube não tem meio-ter...