domingo, 8 de abril de 2012


Foi mais fácil que pescar de bomba. Aquele que já foi chamado Clássico dos Milhões, uma disputa muito parelha entre grandes equipes que eletrizava a cidade e o país não existe mais. O duelo entre as forças dominantes do Rio de Janeiro era sinônimo de emoção e de jogos memoráveis. Mas como diz o Silvio Lach, isso foi no tempo em que a Garota de Ipanema ainda era um avião e que o Tom Jobim ainda não era um aeroporto. Hoje, o Flamengo x Vice é quase um programa familiar. Tradicional, tedioso, previsível.

Nossa baranga, sempre no atraso, se arruma toda, raspa os sovacos e vem pro jogo cheia de marra, se fazendo de difícil. Chega o Flamengo, todo bonito, mas todo fudido e cheio de pobrema, leva a vadia pro canto e perfura. E mais uma vez o látego excruciante da superioridade rubro-negra estala ruidosamente no lombo alquebrado da baranga vascaína.

Felizmente era a porcaria do Vice que tínhamos pela frente. É a mais pura verdade quando dizem que os caras tremem quando veem o Manto. Fosse outro adversário pouquinha coisa mais homem e teríamos tido problemas sérios. Porque o Flamengo continua muito mal e Joel parece que já sentiu a aproximação do cutelo e ligou o foda-se. Essa mania feia de tirar atacante pra botar zagueiro ainda vai lhe custar muitos empregos. Só mesmo a barangada de São Janú pra perder pra gente.

A defesa parece aquele filme Flash Gordon no Planeta Mongo, só que sem o Flash Gordon. Nesse filme só aparecem os mongos batendo cabeça e dando bicudas enlouquecidas pra onde o nariz estiver apontando. O meio, poxa o que se pode falar de um meio de campo que ostenta a nobre presença de Lord Williams? Melhor deixar quieto e falar do nosso ataque Unbelievable Love, a melhor formação ofensiva que temos no estoque.

Já o Ronaldinho, que tem sido merecidamente cornetado com admirável intensidade por muita gente, também merece que se mencione o seu sacrifício de ter que jogar ao lado de certas perebas vestidas de vermelho e preto virtualmente incapazes de devolver uma bola redonda. Ainda assim, e mesmo tendo convertido cruelmente o pênalti aos 47 do 2º, o seu melhor momento em campo foi após o apito final do amigo Wagner dos Santos Rosa.

Para muitos, a sua declaração depois do empalamento da baranga foi o grande momento do jogo todo e animou a muitos desenganados. O malabarista parado na esquina mandou: ‘Espero sair daqui pela porta da frente’. Tremulam as bandeiras, batem os tambores, mas fica no ar a questão: Esperar pra quê?

Já outros na hora de escolher o melhor momento do jogo se dividem entre as providencias borrachadas que o eficiente agente do GEPE em campo desferiu nos marginais vascaínos que tentavam agredir o inocente árbitro e o chilique vergonhoso do Dinamite. Difícil decidir entre esses dois perfeitos exemplos da tradicional baixaria sãojanuaresca.

Sou contrario a qualquer tipo de violência, mas se o PM não desse uns pescotapas nos mulambos da camisa feiona o juiz ia entrar na porrada. Ponto pra Briosa, que dessa vez fechou com o certo. Já o Dinamite, chorando daquele jeito patético comprovou que é botafoguense de raiz. Mas, cá pra nós, quando um deputado estadual chama alguém de ladrão só podemos mesmo rir. Pelo bem do futebol carioca Dinamite devia ter agradecido os dois ovos de páscoa que o Flamengo ofereceu pra ele.

Fim de jogo, baranga furada, 3 pontos no embornal. Mas a crise não saiu da Gávea, só mandou um filhote atravessar o túnel e perturbar a vida dos infelizes da camisa feiona. Que passarão a semana de luto, amaldiçoando a sorte, reclamando da vida e se sentindo uns merdas. Quem somos nós para tirar a razão deles. Carioca não vale nada, mas chacoalhar esses pregos é bom demais.

Boa Páscoa pra vocês

Créditos:http://globoesporte.globo.com/platb/arthurmuhlenberg/2012/04/08/5811/

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