quarta-feira, 7 de março de 2012

Messi, me desculpa, mas eu sou Zico e não abro...


A resposta mais ouvida quando ponderamos Messi ou qualquer jogador 
mais jovem e, na lista de tops citamos Zico é: “E o Zico? Fez o que na 
seleção?”.
É, pra quem olha o placar do jogo é isso. Mas eu vou contar pra vocês o que ele fez, se é que hoje em dia é possível imaginar.
Zico foi um garoto que assumiu a camisa 10 do clube mais popular do 
mundo e deu, destruindo as finais, surgindo nos momentos mais 
complicados, 4 brasileiros, 8 estaduais, 1 libertadores e 1 mundial.
Na seleção de 82, aquela que até hoje há quem diga ser a maior de 
todas, ele era o craque. Ele jogava uma baita Copa, como seus 
companheiros, ate o futebol cometer uma das suas e tirar a nossa 
seleção. Faz parte.
Mas em 86, caros amigos de memória curta e outros tantos que eram 
recém-nascidos, ele estava machucado. Foi pra Copa baleado tentando 
entrar e resolver quando possível.
Contra a França, Mata-mata de Copa do Mundo, Zico entra, ainda 
baleado, faltando 19 minutos pra terminar. Pênalti, ele pede a bola e 
vai lá bater.
Perde, é verdade. Mas fez o que hoje dificilmente um jogador faria. 
Com tudo pra perder, com toda responsabilidade nas costas e não 
precisando fazer isso já que tinha Socrates, Careca e outros em campo, 
ele pegou e fez o que se espera de um craque.
Errou, fomos pros penaltis e de novo ele pediu pra bater. Fez.
Fomos eliminados. Mas ali estava um sujeito com personalidade e 
talento para a eternidade. Tenha você sua paixão por um rival, talvez 
raiva do Zico pelo penalti em questão, seja o que for. Não vai negar que
hoje, neste futebol de estrelas, é duro achar um que pegaria a bola pra
cobrar em condições parecidas.
Zico fez 52 gols em 70 jogos pela seleção. Longe, muuuuuito longe de 
um fracasso. Maradona, campeão do mundo, fez 34 em 91 jogos.
Zico, pra mim, jogou mais que o Maradona. Dos que vi, o melhor. 
Contundido, arrebentado, mas genial, craque e de uma personalidade 
irretocável.
Só num país de pouca personalidade e auto-estima como o nosso um sujeito desses consegue ser questionado e não só idolatrado.
“O que fez o Zico?”, você perguntou.
“O que hoje ninguém faria”, eu te respondi.

Rica Perroni

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